Como no post anterior eu simplesmente dei uma pincelada sobre o que pretendo expor neste blog, acho que se faz necessário uma explicação melhor. Para tanto, dedicarei algum tempo esclarecendo a origem das questões e considerações aqui apresentadas.
Tudo começou em 2005, durante um concurso interno da FEA FUMEC. O objetivo do concurso era escolher o trabalho que representaria a faculdade na Bienal de São Paulo. O tema era habitação.
Meu grande amigo Guy Lapouble me perguntou se eu gostaria de participar de um grupo que ele estava montando. Eu disse que seria um prazer, desde que não nos prendêssemos às práticas usuais de projeto, isto é, projetos simplistas de conjuntos habitacionais ou mesmo intervenções urbanas pontuais. O Guy concordou com o conceito do projeto a ser desenvolvido e me contou que o grupo era formado por apenas duas pessoas - eu e ele. Saímos, então, à caça de nosso orientador.
Encontramos com um de nossos professores de urbanismo, falamos sobre nossa intenção e ele se prontificou a nos ajudar. Assim, com a orientação do prof. Maurity Sieiro, o grupo estava completo.
Não sei quanto às outras faculdades de arquitetura mundo afora, mas o urbanismo que eu aprendi se limitava basicamente a loteamentos. Imaginem, então, que grande surpresa a minha quando fui apresentado à Milton Santos, Edward Soja, Mike Davis e tantos outros. Isso sim era urbanismo e não aquela baboseira sobre loteamentos. Não fosse este trabalho, eu provavelmente não teria acesso às discussões relativas ao ambiente urbano, ficando focado estritamente nas questões propostas dentro do currículo do curso de arquitetura e urbanismo.
Assim, após muita discussão e estudo, decidimos nos concentrar na questão da gestão do estoque. Para que se possa entender, por alto, o que significa a questão do estoque em urbanismo, basta pensarmos em uma região qualquer que possua, por exemplo, três farmácias. Após um estudo, descobre-se que o local comporta ao todo cinco farmácias. Podemos dizer, então, que a região possui duas farmácias em estoque.
O conceito de estoque, conforme preconizado por Raquel Rolnik, trata do equilíbrio entre a capacidade da infra-estrutura instalada, da função da área no contexto geral da cidade, do anseio da população local e do fomento da diversidade - aqui entendida como a variedade e complementaridade de usos, renda, idade da população, raça, etnia, cultura e idade dos edifícios.
Resumindo, o estoque pode ser definido como o potencial de uma determinada região em função de diversas variáveis. O estoque, porém, não se restringe ao ambiente micro; e a interface entre as questões locais / regionais (micro / macro) se apresenta como um dos pontos cruciais desta discussão.
Outro conceito importante que merece destaque é a forma como seria gerenciado este estoque. Atualmente não existe qualquer solução viável que permita a implementação desta importante, porém ainda virtual, ferramenta de planejamento urbano.
Continuaremos a falar sobre o assunto no próximo post.
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